Cartas de Amor v
Minha Cara Helena,
Recebi sua carta e sentimentos, há muito guardados, me visitaram. Senti alegria, senti que ainda estamos ligados de uma forma intensa. Foi como o tempo não tivesse passado nem havido separação.
Aqui nessa poltrona, onde tantas vezes você sentou em meu colo, rimos juntos, conversamos e tivemos momentos maravilhosos, passei a reviver nossas memórias, lembranças de felicidade.
Sabe, Helena, escrever sobre a dor é sempre mais fácil porque caminhamos pela vida tropeçando em desencontros e nos acostumando a sofrer, a esperar o pior.
É sempre mais fácil falar do que é comum, mas hoje eu quero falar do que é raro e tão precioso.
Especiais e inesquecíveis foram aqueles momentos de imensa alegria, serenidade e emoção que vivemos juntos. Olhar pra você fazia o mundo perder a importância, cada movimento seu ganhava um significado especial, como se você estivesse pintando uma aquarela em pleno ar e fosse ao mesmo tempo musa e artista.
Estar em sua presença fazia do lugar e do momento, simplesmente certos, exatos e infinitamente sublimes.
Aqueles momentos vinham em silêncio mas tinham uma melodia que trazia acalanto, amparo e o desejo de ficar, de não pensar. Estar contigo era viver o agora tão intensamente que as emoções brotavam sem controle, sem medo, sem restrições.
E por falar em emoções, era sempre tão bom te beijar e sentir seu corpo, cada pedacinho dele guardava surpresas e sensações novas, mistura de sexo e poesia, intensidade e paz, gozo e descanso.
Temos uma facilidade imensa de nos acostumar com o que é bom. Eu me acostumei com o melhor de você e isso foi uma dádiva por um lado e um presente de grego por outro.
Que fazer? Não sei, só queria que você estivesse aqui, sentada em meu colo, sorrindo e me fazendo viver novamente.
Com todo meu amor,
Miguel
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Meu caro Miguel,
Desde que voltamos a nos corresponder, passo noites e dias a pensar em você, me pego conversando contigo no trânsito, seguindo seus passos mentalmente e imaginando como seria lhe reencontrar, poder novamente olhar em seus olhos, apreciar o sorriso de menino levado, de homem que deseja e sabe o que quer, de poder sentir seu abraço forte e seu beijo que inunda de emoções minha alma e meu corpo.
Sim, nossos momentos especiais também ficaram gravados em minha mente e não consegui apagá-los. Tentei, como tentei, mas desisti porque descobri que precisava dessas memórias para suportar sua ausência.
Sinto falta de seus beijos, sua barba a roçar minha nuca, seu cheiro e seu toque no ponto e no ritmos certos que me faziam esquecer do tempo, até dos medos e de tudo que não fosse nós dois.
Você soube tirar de mim uma mulher que eu desconhecia e pela qual sempre ansiei e temi. Com você deixei de temê-la e passei a apreciá-la.
O costume mais difícil de abandonar foi dormir contigo, abraçada, encaixe perfeito, entregue, sem defesas. Totalmente relaxada, descansava de verdade. Há tempos não durmo direito e sonho em adormecer daquele nosso jeito.
Tenho procurado preencher meus dias mas não consigo encontrar um espaço onde esteja desconectada de você, de nós dois.
Também não sei o que fazer. Será que temos jeito? Ao pensar nisso, lembrei de um verso :
Se temos jeito
quem sabe é o peito
que guarda o coração
que mostra a solução
e que nada é em vão..
Ainda te amo muito,
Helena
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Antonio Augusto